É tão difícil mudar; esperar que tudo mude ou fazer com que as coisas mudem. É preciso primeiro vencer o medo da mudança (coisa hediondamente tenebrosa). Também sinto medo de mudar, mas acontece é que o medo é pouco perto da necessidade desta mudança bendita! E se é assim, como não a querer? quarta-feira, 31 de março de 2010
"Libertas Quae Sera Tamen"
É tão difícil mudar; esperar que tudo mude ou fazer com que as coisas mudem. É preciso primeiro vencer o medo da mudança (coisa hediondamente tenebrosa). Também sinto medo de mudar, mas acontece é que o medo é pouco perto da necessidade desta mudança bendita! E se é assim, como não a querer? Águas...
sexta-feira, 26 de março de 2010
Diferenças!
(Vinícius de Moraes)
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Soneto da Separação
(Vinícius de Moraes)
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o presentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
[Que coisa! Como pode dois assuntos serem tão opostos e mesmo assim um ser consequência do outro?]
Gotaria que Camões, Bocage e Vinicius sentassem na mesma mesa e num trio fantástico e no uso da pena reescrevessem o meu Destino...
Mangas
Ontem à tarde, comi uma manga doce após o almoço. Que delícia! Lembre-me então, de quando era pequeno;e o quão eram importantes essas pequenas coisas. A manga, o iogurte, o suco, o desenho na TV Cultura. Quando terminei a fatia suculenta da manga docíssima senti minha face lambuzada com seu sumo, nas mãos gotejavam pingos amarelo-ouro e tão condensados que lembravam a geléia real da Abelha Rainha. Neste instante, fui então, invadido por uma alegria, ou melhor, uma Felicidade radiante que é como se o sol tivesse amanhecido dentro de mim. E mais nada importou. Tenho problemas sim, todos têm! Mas ontem os esqueci. Pode parecer patético eu sei, mas como uma simples manga (que não é mais tão simples assim) pode me trazer algo que já procurava há tanto tempo? Chovia muito. Geralmente fico triste em dias de chuva, mas não; eu sentia como se a chuva fosse o suor do calor intenso que tinha por dentro desta matéria infame. Percebi ontem também o quanto sou querido pelas pessoas à minha volta, o quanto sou importante por essas pessoas. As pequenas coisas, ah se não fossem elas! Ouvi ontem de mim mesmo para mim ‘’tudo vem e vai, mas as mangas, essas sim serão eternas’’. Pra quem entende as figuras de linguagem está claro o campo semântico não? Hehehe...
E por isso, a cada dia mais, as mangas é que são a tal da Felicidade, é o dizem por ai nas docas de minh’alma...
quinta-feira, 25 de março de 2010
VERSOS D'UM ALUNO
segunda-feira, 22 de março de 2010
NO SEMINÁRIO
Aperto mais ponto de meu cilício
Com a vã tentativa da pureza alcançar.
Corre a fita grossa e rubra do sacrifício.
É o meu sangue. e tento o Criador alcançar.
E neste altar é que estão vivas todas as minhas
Súplicas de homem!
Na dor me concentro
Com minha carne dilacerada pelo aço
Vejo que o que faço não é o bastante
Para que eu sinta as Asas da Salvação
Ruflarem sobre minha carne infame...
Açoitando-me com o cinturão
De São Francisco, na bruta e áspera
Intenção de suplantar o vício
Vejo-me caindo no precipício
Das tentações profanas do mundo!
Em dores, desmaio, e em minha
Inconsciência sonho com
A derrota dos pecados meus
E quando me rendo ao meu desvario:
Desperto!
Fito meu claustro, cruzes e monstros
Observam-me com gastura
As cortinas antes amarelas
Agora, com meu sangue, já vermelhas
E feitas de barro, as telhas
Caem aos montes no chão.
Um estremecimento arrebatador
Domina-me o corpo por inteiro,
E o mundo estremece no seu fim derradeiro!
E esse mundo em sua forma de elipse
Recebe agora um novo Apocalipse,
As minhas tentações!
Esta é minha cruz, o meu suplício!
Deste mau não sei como me livrar,
E com a vã tentativa de a pureza alcançar,
Aperto mais ponto de meu cilício...
Ai!
Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,enfim,tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...
Mário Quintana
É, o Mário lê a minha alma mesmo... A eternidade parece um segundo e o segundo me parecem mil anos...

